"Autorretrato" (1889), releitura de Van Gogh
História e detalhes
Van Gogh produziu 36 autorretratos. Não era egocentrismo, mas necessidade financeira: o artista não podia pagar modelos. Restava pintar a si próprio.
Este autorretrato é considerado seu último antes de falecer. Foi feito em setembro de 1889, logo após uma crise aguda, e revela um momento de consciência da própria fragilidade.
Suas cartas mostram alguém tentando se reconhecer depois de enfrentar o caos: pediu ao irmão que estudasse o retrato com calma, dizendo esperar que sua expressão parecesse mais tranquila. Nesse mesmo mês, Van Gogh pintou o quadro que o colocaria, pós-mortem, no topo do mundo: Noite estrelada.
Aqui, Van Gogh aparece em perfil de três quartos, ocultando a orelha cortada e vestindo um casaco fechado. A paleta azul claro e verde cria uma atmosfera melancólica, penetrante e ao mesmo tempo muitíssimo harmônica. O ruivo do cabelo e da barba introduzem um contraste quente.
A direção das ondulações não é aleatória. Os traços do casaco seguem o caimento do tecido; os do fundo espiralam como água ou vento, e os do rosto mapeiam a estrutura óssea sob a pele.
Hoje, os autorretratos de Van Gogh são uma importante pista do estado psicológico do artista. Levou uma vida sofrida, permeada pela pobreza, pela falta de reconhecimento e por questões de saúde mental. Seu trabalho revolucionário, cujos frutos ele nunca colheu, segue emocionando milhões de pessoas mundo afora.
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