"A fonte" (1862), releitura de Gustave Courbet
História e detalhes
Você consegue sentir os respingos da água?
"A fonte", do exímio realista Gustave Courbet, retrata uma mulher banhando-se numa nascente, com os pés submersos no riacho e os braços embaixo da queda d'água.
A iluminação coloca a moça como ponto focal, pois sua pele concentra quase toda a luz disponível na cena. Ela está cercada de folhagens, troncos e rochas, formando uma moldura natural escura e misteriosa, mas acolhedora.
Considera-se que esta pintura seja uma resposta a uma obra homônima: "A fonte", de Jean Auguste Ingres, concluída cerca de oito anos antes. O trabalho de Ingres também representava uma figura feminina nua, em contato com a água e num entorno escuro, mas de forma bastante idealizada. A mulher, em pose frontal dramática, derramava ao lado do corpo o conteúdo de uma jarra (possivelmente em alusão a uma nascente). Suas feições eram excessivamente perfeitas, com aspecto pouco natural.
Courbet, bom realista que era, rejeitou as convenções acadêmicas clássicas e dispensou o idealismo. Retratou a mulher de costas, sem alegorias nem poses extravagantes, simplesmente banhando-se na mata – a beleza é a da própria figura e dos infinitos tons de verde que a cercam.
Uma obra que traz o frescor da vegetação e a intimidade de um banho na solidão da natureza.
Sobre a obra
Sobre a moldura
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